Costumo dizer que nossos ouvidos falam – basta escutá-los com olhar clínico treinado. Tenho visto cada vez mais profissionais da saúde interessados em métodos integrativos, especialmente na auriculoterapia, pois ela alia tradição, ciência e resultados na rotina do consultório.
Fundamento científico e histórico: de onde veio a auriculoterapia?
Ao pesquisar as raízes desse método, encontrei registros históricos na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que há séculos reconhece o pavilhão auricular como “microssistema reflexo” capaz de tratar o corpo todo. Na década de 1950, o médico francês Paul Nogier desenvolveu um mapa auricular embasado em pesquisas modernas, originando a abordagem ocidental – mais neurofisiológica.
No Brasil, esta prática integra as Práticas Integrativas e Complementares reconhecidas no SUS desde 2006. E não é teoria: em 2024 foram realizados 929.920 atendimentos com auriculoterapia no sistema público, aumento de 102% em relação a 2022. Uma marca impressionante.

Diferenças entre abordagem chinesa e francesa
Em minha experiência, muitos profissionais perguntam: “Existe diferença real entre os mapas auriculares?” Sim. A visão chinesa está fundamentada nos meridianos energéticos, tratando o ouvido como espelho invertido do feto no útero. A abordagem francesa, por sua vez, relaciona zonas auriculares a raízes nervosas e respostas neurovegetativas.
- Mapa chinês: pontos ligados ao fluxo de Qi e órgãos internos secondo MTC.
- Mapa francês: regiões agrupadas por correspondência anatômica-nervosa.
- Na prática, costumo integrar ambas abordagens no atendimento clínico.
Protocolos validados e pontos auriculares principais
Nos cursos da Escola Sana, enfatizo sempre que a prática baseada em evidências baliza escolhas seguras. Para ansiedade, insônia e depressão, alguns pontos são recorrentemente validados:
- Shen Men: ponto calmante, muito utilizado em saúde mental.
- Ponto do cérebro (Subcórtex): modula emoções e sono.
- Ponto Ansiedade: regula o sistema nervoso autônomo.
- Ponto Endócrino: indicado para reequilíbrio hormonal.
- Ponto do coração: associado ao controle do ritmo cardíaco e emoções.
Esses pontos compõem protocolos recomendados para transtornos de humor e insônia, e são respaldados inclusive em iniciativas públicas como o projeto de capacitação do Paraná para 800 profissionais da Atenção Primária (veja mais sobre capacitação estadual em auriculoterapia).
Aplicações em saúde mental: resultados desde a primeira sessão
O ouvido traduz o estado do corpo e da mente.
Na minha rotina, percebo que pessoas com ansiedade relatam alívio já na primeira aplicação. Pesquisas e relatos clínicos indicam que insônia, cefaleia e quadros depressivos também respondem rápido – desde que o profissional associe boa anamnese, escolha correta dos pontos e reavaliação objetiva dos sintomas.
Inclusive, Minas Gerais distribui insumos e investe em formação continuada, ampliando o acesso à prática, principalmente para quem integra a saúde mental ao atendimento de condições crônicas.
Legalização, segurança e necessidade de formação
Algo que sempre saliento: qualificação profissional é condição para um uso seguro. A técnica exige conhecimento anatômico e escolha criteriosa dos pontos. Vale dizer que, segundo o SUS, a auriculoterapia integra uma proposta complementar, nunca substitui terapias convencionais, mas amplia o resultado clínico.
Cada vez mais estados ampliam vagas e ofertam cursos. O Ministério da Saúde, em parceria com a UFSC, abriu vagas para novos polos em 2025, reconhecendo a importância de padronização e capacitação técnica.

Escolha de protocolos e avaliação de resultados
O sucesso depende da avaliação inicial e da individualização do protocolo. No meu atendimento, sigo etapas claras:
- Anamnese direcionada aos sintomas e histórico de saúde.
- Palpação ou detecção eletrônica dos pontos reactivos na orelha.
- Seleção de pontos baseados em protocolo validado ou combinação personalizada, sempre documentando a decisão.
- Após aplicação, uso escalas visuais de dor/ansiedade, questionários de sono ou sintomas para monitorar o resultado já na primeira sessão.
- Reavaliação periódica para adaptar e ajustar o tratamento.
No treinamento em práticas integrativas que oriento, exercícios práticos simulam esses passos. Isso dá segurança ao profissional e ao paciente.
Benefícios da integração no SUS e na clínica
A legalização trouxe ganhos: maior acesso, humanização do atendimento e uso racional de medicamentos. No cenário contemporâneo, vejo a auriculoterapia como ponte entre diferentes saberes, especialmente porque médicos, enfermeiros e fisioterapeutas a integram legalmente, como ferramenta complementar.
Não por acaso, a demanda do tema na formação de profissionais aumentou exponencialmente no último ano, sustentando-se nos bons resultados clínicos e facilidade de aplicação, até mesmo em contextos remotos e multiprofissionais.
Conclusão
Em resumo, vejo a auriculoterapia como prática integrativa de alto impacto, alinhada ao que defendemos na Escola Sana: decisões fundamentadas, protocolos validados e treinamento prático. Para o profissional de saúde, é uma excelente forma de expandir o cuidado, tornando-o mais humano, seguro e apoiado em evidências.
Se você quer desenvolver habilidades práticas, clínicas e fundamentadas em evidências, conheça melhor a Escola Sana e amplie o potencial do seu atendimento. Seus pacientes agradecem.
Perguntas frequentes
O que é a auriculoterapia?
A auriculoterapia é uma técnica terapêutica baseada na estimulação de pontos específicos da orelha para tratar sintomas físicos e emocionais. Ela integra as práticas complementares de saúde reconhecidas mundialmente e é aplicada por profissionais habilitados.
Como funciona a auriculoterapia na prática?
O profissional identifica e estimula pontos da orelha usando sementes, agulhas ou cristais, seguindo protocolo individualizado. O objetivo é desencadear respostas no sistema nervoso, promovendo equilíbrio e alívio de sintomas.
Quais são os benefícios da auriculoterapia?
Os principais benefícios observados são alívio de dor, ansiedade, insônia, estresse, cefaleias e sintomas depressivos. Também auxilia no processo de reabilitação e no cuidado integral do paciente.
A auriculoterapia tem efeitos colaterais?
Quando realizada por profissional qualificado, os efeitos colaterais são raros e leves, geralmente limitados a pequeno desconforto, vermelhidão ou coceira local, transitórios e autolimitados.
Quanto custa uma sessão de auriculoterapia?
O valor de uma sessão varia conforme a região, formação do profissional e tempo de aplicação. No SUS, a prática é ofertada gratuitamente à população. Em clínicas particulares, o preço pode variar, mas sempre consulte um profissional habilitado.